APIC apresenta panorama atual do tratamento do EAM no Alentejo

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A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) apresentou esta segunda-feira, dia 14 de fevereiro, o panorama atual do tratamento do enfarte agudo do miocárdio no Alentejo. Esta iniciativa, que decorreu no Palácio de D. Manuel, em Évora, surge no âmbito da campanha “Cada Segundo Conta” e das comemorações do Dia Nacional do Doente Coronário.

Contou com mais de 50 profissionais de saúde, representantes de autarquias e instituições envolvidas no transporte, tratamento e acompanhamento de doentes coronários, e foi possível apresentar a atual realidade do tratamento do enfarte agudo do miocárdio na região alentejana, bem como a sua realidade futura.

“A APIC quis homenagear o doente coronário em Évora”, explicou Lino Patrício, diretor do Departamento Cérebro-Cardiovascular do HESE e do CRIA do Alentejo. Aproveitou a ocasião para partilhar três palavras-chave que permitem melhorar a via verde do EAM e AVC: formação, organização e inovação.

Lino Patrício avançou que foram avaliados os tempos até à reperfusão de mais de 1.700 doentes com enfarte agudo do miocárdio, tendo-se concluído que o tempo designado por “door in, door out” tem uma mediana de duas horas e 30 minutos por o tempo até ao transporte ser superior a uma hora, quando as diretrizes referem 120 minutos como tempo máximo para o doente iniciar a angioplastia. Na sua opinião, esta é uma luta de todos os profissionais de saúde.

Neste evento, João Brum Silveira, Coordenador Nacional do Stent Save a Life (APIC), explicou em que consiste a campanha “Cada Segundo Conta”, sublinhando que “todas as terapêuticas devem ir ao encontro do doente e não o contrário”. A campanha tem como objetivo promover o conhecimento e a compreensão sobre o enfarte agudo do miocárdio e os seus sintomas, alertando para a necessidade de um diagnóstico atempado e tratamento precoce.

“É possível fazer tão bem no Alentejo como em Lisboa e no Porto”, acrescentou. O responsável reforçou, ainda, a importância de que, de facto, quanto mais rápido o doente fizer o diagnóstico, melhor, assumindo que “a grande dificuldade é que o doente não reconhece os sintomas”, sendo fundamental a aposta na informação à população.

Alexandre Jorge Castanheira Valentim Lourenço, Presidente do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos, também considerou existir possibilidade de mudar o futuro da Medicina, por ações concretas executadas localmente.

Participaram ainda Renato Fernandes que deu a conhecer um caso real de sucesso de um doente coronário, paradigmático porque fez uma paragem cardiorrespiratória já na sala de hemodinâmica e que foi reanimado e David Nunes, ambos cardiologistas de intervenção no CRIA, em Évora, que apresentou uma análise detalhada dos tempos até à reperfusão.

Marcou também presença Carlos Pinto de Sá, Presidente da Câmara de Évora, que destacou a necessidade de se ir mais longe, sobretudo devido ao facto de cada vez mais existir um envelhecimento demográfico, o que, consequentemente, traz mais problemas de saúde.

No final foi dedicado tempo à troca de ideias e experiências de todos os participantes neste evento. Durante a tarde realizou-se uma sessão de STEMINeM no HESE para profissionais de saúde da urgência e INEM.