Nos dias 20 e 21 de março, Torres Vedras recebe a 14.ª Reunião VaP-APIC, um evento de referência na área da intervenção estrutural valvular. Em entrevista, Pedro Carrilho Ferreira, presidente da comissão organizadora, destaca os principais objetivos desta edição, que promete momentos de discussão enriquecedora, sessões inovadoras e a participação de especialistas nacionais e internacionais. Com um programa focado na atualização científica e no intercâmbio de conhecimentos, o evento assume-se como uma oportunidade única para a comunidade médica.
Quais os principais objetivos da 14.ª Reunião VaP-APIC?
Pedro Carrilho Ferreira (PCF) – A reunião VaP-APIC é o momento em que todos os anos a comunidade nacional de intervenção estrutural valvular se reúne para discutir casos clínicos e fazer uma atualização sobre as novidades. Assim, a 14.ª reunião VaP-APIC tem como principal objetivo permitir que os profissionais envolvidos nesta área estejam juntos, num ambiente descontraído e informal, de forma a estimular o networking e permitir a troca de conhecimentos e experiências.
Quais são os hot topics desta edição?
PCF – Penso que vamos ter uma edição repleta de momentos interessantes e que vão suscitar discussão, mas gostaria de salientar a sessão conjunta entre a APIC e o grupo CSC, e a sessão de casos clínicos desafiantes. A sessão conjunta APIC-CSC vai decorrer no primeiro dia da reunião, 20 de março, às 14 horas, e vai ter apresentações realizadas por dois Cardiologistas de Intervenção espanhóis de renome, o Dr. Ignacio Cruz González e o Dr. Luis Nombela Franco, que vão trazer casos interessantes da sua prática clínica. Já a sessão de casos clínicos vai ter lugar no dia 21, às 12 horas, e vai seguir o modelo “How would I treat / How did I treat”, que é muito popular nas reuniões do grupo PCR. No início teremos uma breve apresentação de um caso clínico desafiante, seguida pela discussão do plano terapêutico por um membro do painel e, no final, o apresentador irá revelar de que forma a equipa tratou o doente em questão. Acredito que vão ser duas sessões dinâmicas e que vão suscitar uma discussão muito interessante e produtiva.
Aquando da escolha do programa, quais os critérios que foram tidos em conta?
PCF – A escolha do programa foi feita por todos os elementos da comissão organizadora da reunião, que inclui, além de mim próprio, a Dr.ª Ângela Bento e a enfermeira Marisa Serrano, do Hospital do Espírito Santo em Évora, a Dr.ª Elisabete Jorge, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, a Dr.ª Inês Rodrigues e a técnica Ana Santana, do Hospital de Santa Marta, e a Dr.ª Marta Tavares da Silva, do Hospital de São João. Na seleção dos temas tivemos em consideração as principais novidades na área da Intervenção Valvular, nomeadamente a evidência científica mais recente, que inclui diversos estudos publicados e apresentados no último ano. Além disso, o programa foca também aspetos que continuam por esclarecer e em que a discussão multidisciplinar desempenha um papel fundamental para a tomada de decisão.
Relativamente aos Cursos Pré-Congresso, o que já pode revelar?
PCF – Vamos ter dois cursos pré-congresso que irão decorrer na manhã do dia 20 de março, quinta-feira. Um deles será focado nos temas da função de TAVI coordinator e no TAVI pathway, ou seja, no percurso do doente proposto para implantação percutânea de prótese biológica aórtica (TAVI), que abrange desde o momento em que o doente é referenciado a um centro de intervenção estrutural, passando pelo período peri-intervenção e posteriormente o seguimento a longo prazo. O outro curso irá abordar a questão das complicações relacionadas com o acesso vascular na intervenção valvular, com ênfase em três aspetos: a técnica de punção vascular, os dispositivos de encerramento do acesso e a resolução das complicações. Felizmente as complicações vasculares na intervenção valvular têm vindo a diminuir em termos de frequência e gravidade, mas continuam a ser relevantes na nossa prática. Acredito que estes cursos irão ser muito interessantes e úteis para todos os intervenientes, pelo que convidamos todos a participar. As inscrições irão iniciar-se brevemente.
O programa contará com a presença de convidados internacionais? Quer falar-nos um pouco mais da escolha destes nomes e quais os temas que abordarão?
PCF – Sim, vamos contar com a presença de vários convidados internacionais. Neste momento, já podemos confirmar a presença do Dr. Ignacio Cruz González e do Dr. Luis Nombela Franco que, como já referi anteriormente, irão participar na sessão conjunta APIC-CSC, onde vão apresentar casos clínicos desafiantes da sua prática clínica. Escolhemos estes colegas espanhóis pela sua grande experiência na área da Intervenção Valvular e pela ligação que têm à comunidade de Intervenção Cardiovascular portuguesa, que tem permitido um intercâmbio de conhecimentos que, na minha opinião, tem sido benéfico para todos os envolvidos. Na sessão de Técnicos e Enfermeiros, que irá decorrer também na quinta-feira, às 17 horas, vamos contar com a presença do técnico Bruno Santos, que trabalha em Oxford e irá partilhar a sua experiência no Reino Unido. Teremos ainda outros convidados internacionais que serão anunciados em breve.
Em que sentido é que esta edição pode contribuir para a melhoria da intervenção estrutural valvular, a nível nacional?
PCF – Desde o início, a reunião VaP-APIC tem-se estabelecido como uma plataforma para os profissionais envolvidos nesta área partilharem conhecimentos e casos clínicos, discutirem a evidência científica mais recente e exploraram técnicas de intervenção inovadoras. Desta forma, acredito que a 14.ª edição pode ajudar os profissionais a manterem-se a par das tendências globais, de forma a facilitar a integração de novos métodos e abordagens na prática clínica dos nossos hospitais e, assim, melhorar os resultados da Intervenção Estrutural Valvular em Portugal, que é, naturalmente, o grande objetivo de toda a comunidade.
Na sua opinião, qual a importância da realização desta reunião para os profissionais de saúde?
PCF – Na minha opinião, até pela experiência que tenho de participar nas anteriores edições da reunião, o aspeto mais relevante e enriquecedor para os profissionais de saúde que participam na reunião é a possibilidade de interagir com os seus pares e poderem discutir, num ambiente informal, tanto a evidência científica e recomendações mais recentes, como os casos que realizaram recentemente ou que irão efetuar em breve. Confesso que já por mais de uma vez saí da reunião com ideias novas sobre o tratamento de algum caso particular que depois coloquei em prática na minha atividade, e acho que essa é a grande mais-valia desta reunião.
Quais são as expectativas em termos de participação e impacto desta reunião na comunidade médica portuguesa?
PCF – A reunião VaP-APIC começou como um pequeno encontro com poucos participantes, mas, ao longo dos anos, tem crescido de forma muito significativa e hoje é um marco no panorama da Cardiologia de Intervenção Portuguesa. Nos últimos anos temos assistido a uma reunião muito participada e dinâmica e essa é a nossa expectativa para a reunião de 2025.
Qual a mensagem que gostaria de passar aos participantes?
PCF – Gostaria de convidar todos aqueles que se interessam pela área da Intervenção Valvular a juntarem-se a nós em Torres Vedras, nos dias 20 e 21 de março. Naturalmente este convite dirige-se não só a Cardiologistas de Intervenção, mas também a Enfermeiros, Técnicos, Cardiologistas de outras áreas e médicos de outras especialidades, como Cirurgiões Cardíacos, Anestesistas, Cirurgiões Vasculares e outros. A comissão organizadora preparou um programa que acreditamos ser interessante e muito dinâmico, mas a presença e participação de toda a comunidade de intervenção valvular é imprescindível para o sucesso da reunião!


