“Vivemos uma era em que o TEP está inegavelmente em foco” – Entrevista com João Brito

João Brito

A APIC Focus Meeting 2026, que se realiza a 24 de setembro, dedica um lugar de destaque ao tromboembolismo pulmonar (TEP), uma área que tem registado uma evolução significativa nos últimos anos, tanto ao nível da estratificação de risco como das opções terapêuticas. João Brito, tesoureiro da APIC e responsável pelo programa da reunião, em conjunto com o Grupo de Estudo de Intervenção Pulmonar da APIC, explica a relevância desta temática e antecipa os principais temas em discussão.

Qual a relevância da temática “Tromboembolismo Pulmonar (TEP)” para a edição de 2026 da APIC Focus Meeting?

João Brito (JB) – A APIC Focus Meeting é uma oportunidade para promover a atualização científica, a partilha de experiências e a discussão clínica na área da Cardiologia de Intervenção em Portugal. Temos assistido a um desenvolvimento crescente das técnicas de intervenção na área do tromboembolismo pulmonar (TEP) agudo e crónico, e esta é uma oportunidade para dinamizar a troca de conhecimentos entre participantes e uma faculty com muita experiência.

Qual a importância do tromboembolismo pulmonar no contexto da Cardiologia de Intervenção, e quais os avanços mais significativos que estarão em debate nesta reunião?

JB – Esta é uma patologia com uma prevalência muito expressiva e que acarreta uma elevada morbilidade e mortalidade. O cardiologista de intervenção tem a experiência e a diferenciação técnica e clínica que permitem dar a melhor resposta neste contexto. Existem novas recomendações de sociedades científicas internacionais relativamente à estratificação de risco destes doentes, e foram revelados recentemente os resultados de ensaios clínicos que enfatizam o papel da intervenção percutânea no tratamento do TEP agudo. Todos estes tópicos serão alvo de destaque na reunião.

Quem são os principais destinatários da APIC Focus Meeting 2026, que objetivos concretos pretende a organização alcançar com esta edição e que impacto espera que as discussões e conclusões da reunião tenham na prática clínica, a nível nacional e internacional?

JB – Um dos aspetos mais interessantes do TEP é a sua multidisciplinaridade, promovendo a interceção de diversas especialidades médicas. Desta forma, a reunião destina-se não só a cardiologistas clínicos e de intervenção (com ou sem experiência na área), mas abrange também a Medicina Interna, Medicina Intensiva, Pneumologia e Medicina de Urgência e Emergência, bem como todos os profissionais de saúde envolvidos e interessados na abordagem desta patologia. Esperamos que a partilha de conhecimentos e experiência aumente o entusiasmo dos participantes por este tema, permitindo o crescimento das redes de referenciação e o desenvolvimento de novas equipas de resposta ao TEP, aumentando assim o acesso da população a técnicas de tratamento avançadas.

Há algum aspeto ou novidade que gostaria de destacar e que torne esta edição da APIC Focus Meeting particularmente especial?

JB – O programa desta reunião foi idealizado e concebido pelo Grupo de Trabalho de Intervenção Pulmonar, tendo sido cuidadosamente pensado para agregar massa crítica de vários centros nacionais, e para focar as várias vertentes do TEP agudo e crónico, desde o diagnóstico até ao seguimento a longo prazo. Estamos atualmente a assistir a uma evolução significativa das técnicas de intervenção no TEP, que se traduz num entusiasmo crescente por esta área. Existem novas recomendações da American College of Cardiology/American Heart Association, existem novos dispositivos em desenvolvimento para intervenção percutânea, existem ensaios clínicos aleatorizados em curso, ou com resultados já conhecidos, que trazem evidência científica nova e relevante nesta área. Vivemos uma era em que o TEP está inegavelmente em foco, pelo que abordar este tema na APIC Focus Meeting será certamente especial.