A 27.ª edição do Day at the Cath Lab (D@CL), que se vai realizar no próximo dia 26 de novembro, no Hospital de Braga, é sobre o tratamento das “Lesões coronárias calcificadas”. De acordo com Jorge Marques, diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital de Braga, trata-se de uma técnica com riscos acrescidos, que impõe uma criteriosa seleção dos casos, que deve ser partilhada com os profissionais dos vários centros.
Qual a razão da escolha do tema “Lesões coronárias calcificadas” para este Day at the Cath Lab?
Jorge Marques (JM) – É uma técnica que temos vindo a desenvolver desde 2015. Nesta altura, temos uma casuística mais razoável, no entanto o recurso a esta técnica mais invasiva tem indicações muito específicas, que importa partilhar com os profissionais dos vários centros, de forma a garantir uma maior experiência de todos.
Qual a importância da abordagem deste tema?
JM – É uma técnica de recurso, já com longos anos de história na Cardiologia de Intervenção. Nos últimos cinco anos, houve alguma evolução nos dispositivos técnicos aplicáveis nesta área, nomeadamente a evolução dos dispositivos de aterectomia rotacional e a introdução da aterectomia orbital. As técnicas de angioplastia evoluíram também significativamente e, de certa forma, reduziram o número de casos em que a aterectomia é absolutamente necessária.
E os desafios?
JM – O grande desafio nesta área do tratamento de lesões complexas calcificadas é a seleção dos casos. Tratando-se de uma técnica mais invasiva, tem riscos acrescidos ainda que controlados e é, por isso, fundamental uma criteriosa seleção dos casos.
O Laboratório de Hemodinâmica tem muita experiência no tratamento destas lesões?
JM – Atualmente, o laboratório tem sete anos de experiência, com uma casuística relativamente baixa, mas com bons resultados clínicos a nível da segurança e da eficácia. Tratando-se de uma técnica com indicações cada vez mais específicas, a casuística na generalidade dos centros tende a ser menor.
Quais as suas expectativas para este Day at the Cath Lab?
JM – Essencialmente, um dia de partilha de experiências entre profissionais de vários centros, baseada na discussão e intervenção sobre casos reais selecionados. Discussão sobre indicações e contraindicações clínicas, adaptações e variações na aplicação da técnica, dificuldades de soluções, bem como revisão das complicações e manejo das mesmas.
É Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital de Braga, onde se insere o Laboratório de Hemodinâmica. Quais têm sido os seus principais objetivos em relação à área da Cardiologia de Intervenção?
JM – O Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Braga iniciou atividade no ano de 2003. Em 2008, iniciámos o programa de intervenção percutânea primária no enfarte agudo do miocárdio e, desde 2014, que temos tentado consolidar a experiência na intervenção coronária percutânea. Já durante este ano iniciámos a intervenção na área da cardiopatia estrutural e, sem dúvida, que nos próximos anos este vai ser o grande desafio do Serviço de Cardiologia. O número de profissionais incluídos neste tipo de atividade tem sido progressivamente alargado, sempre com o compromisso de manutenção de alguma multidisciplinaridade em toda a área da Cardiologia e, simultaneamente, com a garantia de que, quer o laboratório, quer cada um dos profissionais mantém os números mínimos adequados à manutenção de experiência robusta.


