“O foco atual é fazer intervenção coronária percutânea em bifurcações da forma mais simples”

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Entrevista a Luís Nunes, coordenador do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de São Teotónio

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) vai realizar mais uma iniciativa formativa Day at the CathLab (D@CL). Esta, no Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de São Teotónio, com data marcada para dia 18 de junho e subordinada ao tema “Intervenção coronária percutânea em bifurcações. Quanto mais simples melhor”. Luís Nunes, coordenador do referido laboratório refere que, apesar de todas essas técnicas disponíveis para o tratamento das estenoses em bifurcações coronárias, “o foco atual é fazer tudo da forma mais simples – provisional stent”.

Qual a razão da escolha do tema “Intervenção coronária percutânea em bifurcações.

Quanto mais simples melhor”?

Luís Nunes (LN) – As estenoses em bifurcações coronárias têm sido, desde há muito tempo, um desafio para os cardiologistas de intervenção. Prova disso são as múltiplas técnicas que foram desenvolvidas para realizar as angioplastias com esta localização. Muito se tem tentado fazer de forma a obter os melhores resultados em termos de mortalidade, bem como de morbilidade. Apesar de todas essas técnicas, o foco atual é fazer tudo da forma mais simples – “provisional stent”. Contudo, há situações em que não existe essa possibilidade, razão pela qual o hemodinamista deve estar a par das diferentes soluções disponíveis, de forma a resolver casos clínicos mais desafiantes.

Existem muitas inovações nesta área?

LN – As maiores inovações nesta área passam pelo material que usamos e não tanto pela técnica que realizamos. De facto, com os atuais stents com fármaco de segunda geração, o uso cada vez maior da imagem intracoronária (IVUS e OCT) e do estudo funcional (FFR, iFR e rFR) conseguimos simplificar os processos, otimizar procedimentos e chegar onde há uns anos não imaginávamos chegar.

Quais as suas expectativas para este D@CL?

LN – Espero que seja um dia em que todos os participantes possam rever de uma forma didática e agradável um dos temas mais desafiantes em intervenção coronária. Por outro lado, o contacto com colegas de outros laboratórios permite conhecer outras realidades do país e a sua forma de atuar o que é muito relevante para a evolução do nosso centro/hospital. É coordenador do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de São Teotónio desde 2017. Quais têm sido os seus principais objetivos?
LN – O Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de São Teotónio foi criado em 1998. Faço parte da equipa que nele trabalha desde o primeiro dia, mas só assumi a Coordenação em 2017. Neste momento, além de mim, o laboratório conta com mais dois médicos, o Dr. Pedro Ferreira e o Dr. Bruno Marmelo. Este laboratório tem como foco, em termos de intervenção, a doença coronária, dando apoio não apenas aos doentes do nosso distrito, mas também aos doentes coronários do distrito da Guarda e aos doentes referenciados pelo Hospital da Covilhã, em especial às síndromes coronárias agudas. O Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de São Teotónio realiza anualmente cerca de 450 angioplastias, sendo que 20 por cento envolvem bifurcações, incluindo tronco não protegido que, pela sua especificidade, deve ser abordado como entidade autónoma.

Projetos futuros?

LN – A curto/médio prazo iremos recomeçar o programa de desnervação renal. Temos a vontade de avançar com alguns programas de intervenção estrutural mas, de momento, o nosso foco continua na doença coronária.