“Este curso pretende abordar todos os pontos fundamentais na otimização do tratamento percutâneo das válvulas mitral e tricúspide” – Entrevista com Manuel Santos

Manuel Santos

A 14.ª Reunião Anual da APIC realizar-se-á de 9 a 11 de novembro, em Peniche. “Mitral and Tricuspid TEER – The Clinician’s point of View” é um dos cursos que integrará a reunião. Manuel Santos, Cardiologista de Intervenção no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e membro da comissão organizadora responsável pelo curso, explicou que o principal objetivo do curso é “abordar todos os pontos fundamentais na otimização do tratamento percutâneo das válvulas mitral e tricúspide”. Revelou, ainda, em que irá consistir o curso, sendo que o seu propósito é proporcionar o melhor tratamento médico e de intervenção aos doentes portugueses com valvulopatia mitral e tricúspide.

Aquando da escolha do programa científico do curso “Mitral and Tricuspid TEER – The Clinician’s point of View”, quais os critérios tidos em conta?


Manuel Santos (MS) –
O tema da reparação valvular percutânea mitral e tricúspide é um hot topic na área cardiovascular, fruto da sua alta complexidade e do crescimento recente da evidência científica a suportar a sua utilização. Esta área exige uma grande diferenciação técnica desde o diagnóstico, caracterização clínico anatómica dos doentes e aplicação dos dispositivos médicos. A modalidade de tratamento percutâneo mais utilizada, reparação edge-to-edge, obriga a um conhecimento profundo do mecanismo de doença valvular e da nossa capacidade de intervenção. Este curso pretende abordar todos os pontos fundamentais na otimização do tratamento percutâneo das válvulas mitral e tricúspide.

Qual o principal público-alvo do curso e porquê?
MS –
O principal público-alvo são médicos de Cardiologia e Medicina Interna que abordem doentes com patologia valvular, bem como técnicos de Cardiopneumologia com atividade na área de diagnóstico e de tratamento de valvulopatias. Estes grupos profissionais são os mais motivados e com maior necessidade de sistematização na utilização de tecnologias de ponta no tratamento minimamente invasivo destas doenças.

Quais considera serem as principais aprendizagens neste curso e qual a sua relevância na prática clínica?
MS –
O programa do curso foi desenvolvido para replicar o dia a dia na abordagem de doentes com valvulopatia mitral e tricúspide. Em primeiro lugar, teremos uma palestra a sistematizar a avaliação imagiológica. De seguida, uma discussão sobre o candidato ideal para reparação valvular percutânea mitral e tricúspide pela técnica edge-to-edge. Este conhecimento é fundamental para o clínico selecionar o doente que melhor beneficia destes procedimentos. As introduções teóricas serão complementadas por momentos de simulação de alta-fidelidade de ecocardiograma transesofágico e reparação valvular com o sistema Pascal.

Mais importante, o curso vai terminar com uma discussão em reunião multidisciplinar (cardiologista de intervenção, especialista em imagem e clínico referenciador) sobre casos clínicos reais, encerrando o ciclo de planeamento pré-intervenção. Estes pontos de aprendizagem terão seguramente um impacto muito positivo na qualidade de referenciação para intervenção edge-to-edge, alargando a utilização da técnica e aumentado as suas vantagens prognósticas e de melhoria de qualidade de vida.

Que mensagem gostaria de deixar aos participantes?
MS –
Contamos com uma faculty de enorme qualidade, extremamente dinâmica e muito próxima dos participantes, com o objetivo de rever o estado da arte, partilhar dicas práticas na avaliação clínica e ecocardiográfica, e desenvolver redes regionais de discussão e referenciação. O nosso propósito é proporcionar o melhor tratamento médico e de intervenção possível aos doentes portugueses com valvulopatia mitral e tricúspide.