A 30.ª edição do Day at the Cath Lab decorrerá no dia 5 de setembro de 2022. Esta edição será subordinada ao tema “Desnervação Renal” e realizar-se-á na Unidade de Hemodinâmica do Hospital São Pedro de Vila Real – Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE. Hélder Ribeiro, médico cardiologista neste Hospital, explica o porquê da escolha deste tema e as principais particularidades dos casos clínicos que serão apresentados.
Aborda, ainda, os principais objetivos a médio e longo prazo desta Unidade.
“Desnervação Renal no tratamento da Hipertensão”. Porquê a escolha deste tema?
Hélder Ribeiro (HR) – Escolhemos o tema “Desnervação renal” desde logo porque este assunto nunca foi abordado no âmbito dos “Day at the cath lab”, depois porque iniciámos muito recentemente o nosso programa de desnervação renal e, por último, porque este é um “Hot Topic” da atualidade, de acordo com os resultados promissores dos últimos estudos que se irão refletir nas guidelines a breve prazo. Aliás, no último fim de semana, no congresso da ESC, foi emitido um statement a recomendar o uso desta técnica no tratamento de hipertensão.
Quais os critérios para a escolha do paciente, no que a este tratamento diz respeito?
HR – De um modo genérico são elegíveis para esta técnica três grupos de doentes, de acordo com as recomendações da ESC: adultos com HTA não controlada com três ou mais fármacos; adultos com HTA incapazes de tolerar a medicação a longo prazo; e adultos com HTA que expressem a vontade de ser submetidos a esta técnica.
Este é um procedimento usado com regularidade?
HR – Este procedimento ainda não está em uso disseminado, pois os estudos que mostraram o benefício da técnica não foram publicados a tempo de serem refletidos nas últimas guidelines. Contudo, recomendações recentes como as da ESC (último fim de semana), bem como de outras sociedades de hipertensão, irão contribuir para a “explosão” do uso desta técnica.
Serão apresentados três casos clínicos. Quais as principais diferenças entre cada um deles?
HR – Os três casos clínicos que vamos apresentar, são completamente díspares e constituem exemplos das três principais indicações desta técnica: doente polimedicado com HTA não controlada; doente medicado que não tolera fármacos; e doente medicado que manifestou vontade em ser submetido a esta técnica.
Quais as suas expectativas para este Day at the CathLab?
HR – As expectativas desta iniciativa pretendem atingir diferentes vertentes: racional, estudos, guidelines; riscos e benefícios da técnica; indicações e seleção de doentes; visão sobre a técnica; e casos práticos. Propõe-se realizar uma espécie de curso de iniciação à desnervação renal que possa inspirar outros colegas a iniciar o seu programa.
Quais os objetivos a médio e longo prazo do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital São Pedro de Vila Real?
HR – Os desafios a médio e longo prazo são inúmeros, destacando-se três principais: em primeiro lugar a consolidação da nossa posição em termos de intervenção cardiovascular – continuar a crescer em número e complexidade de procedimentos, fazendo uso de todo o tipo de tecnologia de ponta que permita o melhor tratamento possível em termos de segurança e eficácia – imagem intracoronária (IVUS+OCT), Litotrícia, “rotablator”, dispositivos de assistência ventricular -Impella), etc; em segundo lugar, desenvolver a nossa atividade em termos de intervenção estrutural a qual se iniciou em 2018 com o encerramento de FOP e CIA, realização de valvuloplastias aórticas como ponte para a cirurgia ou para a TAVI e mais recentemente a implantação de dispositivo “Reducer” e o programa de desnervação renal; e por último, iniciar outras áreas de intervenção como o encerramento do apêndice auricular esquerdo, implantação de TAVI bem como a intervenção mitral e tricúspide.
E desafios?
HR – O principal desafio será tentar conciliar a atividade nestas duas grandes áreas de intervenção com a formação/diferenciação de recursos humanos locais de modo a permitir o crescimento sustentado que pretendemos.
Qual o número de intervenções feitas desde que é responsável até ao momento?
HR – Desde a abertura do laboratório em 2008 foram realizados 14330 exames diagnósticos e 3720 angioplastias. Numa primeira fase, a atividade era assegurada por uma empresa prestadora de serviços e foram realizados nesse período 4714 exames diagnósticos e 2367 angioplastias. Desde 2014 que a atividade é assegurada por uma equipa local e já foram realizados 9616 exames diagnósticos e 4353 angioplastias. A nível de intervenção estrutural foram encerrados cerca de 45 casos de CIA/FOP, foram realizados três casos de desnervação renal e um caso de implantação de Reducer.
Quais os projetos futuros relacionados com a área da Hemodinâmica?
HR – O grande projeto futuro na área de Hemodinâmica é a constituição da nova unidade de intervenção cardiovascular, estando já em andamento e prevendo-se que esteja concluída brevemente. Esta nova unidade será composta por duas salas, sendo que uma delas será híbrida e com angiógrafo com tecnologia biplanar, que irá permitir todo o tipo de intervenção cardiovascular cardíaca (coronária e estrutural) e não cardíaca (radiológica, neurológica e vascular periférica).


