Nos passados dias 2 e 3 de Setembro, o Dr. João Brum da Silveira, Tesoureiro da APIC, participou no evento CTO Summit, realizado em São Paulo, Brasil. Na entrevista que se segue poderá saber mais sobre este tema e sobre a participação no evento.
1. Participou recentemente no evento CTO Summit Brasil, evento realizado em São Paulo pela SBHCI (Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista). Pode por favor explicar sumariamente o que são CTOs e qual a sua relevância na cardiologia de intervenção?
As CTO’s por definição são situações em que existe uma obstrução total, isto é 100%, de uma artéria coronária, não havendo passagem de sangue para a irrigação do músculo cardíaco com mais de 3 meses de duração. São encontradas em 18-20% dos doentes que efetuam cateterismo cardíaco diagnóstico.
2. Quais considera serem os desenvolvimentos mais relevantes nesta área?
O campo das CTO’s evolui a um ritmo alucinante com o aparecimento de novos dispositivos e novas técnicas o que permite que hoje consigamos ter taxas de sucesso superiores a 90% associadas a uma muita baixa taxa de complicações, igual ás das intervenções complexas, o que é notável.
3. Qual a importância de um fórum exclusivamente dedicado a este tema?
A importância destes fóruns é o reconhecimento por parte da Cardiologia de Intervenção da necessidade de uma reflexão profunda sobre o tema e uma aprendizagem de técnicas mais diferenciadas para podermos ter a mesma taxa de sucesso que temos nas intervenções mais complexas. Por razões diversas, apenas 10% dos doentes com CTO’s são sujeitos a tratamento percutâneo. E é isso que temos de mudar, com uma aprendizagem sistematizada e partilhada com outros colegas.
4. Uma das comunicações que fez durante este evento tinha como título “CTO nomenclature and CTO toolbox”, pode falar-nos um pouco mais sobre este tema?
São dois temas numa apresentação, para mim ambos muito queridos. Temos, por um lado, a necessidade de uma nomenclatura própria; tantas são as técnicas que utilizamos que precisamos de falar a mesma linguagem. Já a Toolbox, “caixa de ferramentas”, é fundamental quando efetuamos procedimentos complexos; sem planeamento cuidado, nunca conseguiremos ter sucesso; as CTO’s são as lesões mais complexas que tratamos, pelo que necessitamos de ter tudo pronto, para o caso de termos de recorrer a algum material diferente daqueles que utilizamos no nosso dia-a-dia.
5. Outra das comunicações em destaque no evento, foi realizada pelo Dr. Daniel Weilenmann e teve como tema “How to set up a CTO program?”. Existem em Portugal programas específicos em funcionamento? Fale-nos um pouco mais sobre eles.
Não temos ainda um CTO grupo em Portugal. Porém, a APIC (Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular) tem um grupo de trabalho de CTO’s que está neste momento a debruçar-se sobre o tema.
6. De uma forma geral, qual a avaliação que faz deste evento?
O evento foi um sucesso absoluto. Houve cerca de 200 inscrições o que é notável e reflecte a importância desta área para a SBHCI. O programa foi cuidadosamente elaborado para esta fase de criação do CTO grupo e as apresentações foram de muita qualidade. O feedback que tivemos na avaliação do Curso foi muito bom.
7. A sua presença no CTO Summit Brasil surgiu de um convite feito pela SBHCI à APIC. Estão previstas mais acções de colaboração entre as duas entidades?
Sim estão previstas mais colaborações entre as nossas entidades. Por razões históricas e culturais, faz todo sentido estreitarmos as nossas parcerias. Vamos ter uma representação da SBHCI na nossa Reunião Anual de 3-6 de Novembro e já fomos convidados para o 2º CTO Summit a realizar nos dias 15 e 16 de Setembro de 2017.
Poderá consultar o programa do CTO Summit Brasil, clicando aqui.






