A 48.ª edição do D@CL, subordinada ao tema “Angiografia sem pegada na doença coronária calcificada – evoluindo a angioplastia moderna”, irá realizar-se no dia 20 de janeiro, na Unidade Local de Saúde da Região de Leiria. Daniel Faria, da Unidade de Hemodinâmica e Intervenção Cardiovascular da ULS da Região de Leiria, falou sobre a relevância do tema, os principais conteúdos do encontro e os conhecimentos que os participantes irão adquirir ao longo desta iniciativa formativa.
Qual a relevância deste tema?
Daniel Faria (DF) – A doença coronária calcificada constitui um dos maiores desafios da cardiologia de intervenção. O cálcio dificulta a correta avaliação angiográfica, compromete a expansão adequada dos stents e está associado a maior risco de reestenose e eventos adversos. O conceito de “angiografia sem pegada” — ou seja, angioplastia sem implante de stent — representa uma mudança de paradigma, assente no uso de balões com fármaco (DCB). Estudos recentes demonstram que, ao contrário do que acontece com os stents, cuja performance tende a diminuir à medida que a complexidade anatómica aumenta, os DCB mostram resultados particularmente favoráveis em cenários mais complexos, desde que haja uma adequada preparação da lesão. Este tema reflete, assim, a evolução da angioplastia moderna para abordagens mais fisiológicas, seguras e personalizadas.
Qual o perfil de doentes que habitualmente são tratados com esta técnica?
DF – As estratégias de angioplastia sem stent são frequentemente utilizadas em doentes com doença coronária complexa, incluindo doentes idosos, com múltiplos fatores de risco cardiovascular, diabetes mellitus, insuficiência renal crónica ou elevado risco hemorrágico. São também particularmente úteis em doentes com vasos de pequeno calibre, lesões longas ou extensamente calcificadas, nos quais a implantação de stents pode condicionar resultados menos favoráveis a médio e longo prazo. Contudo, o estudo Selution DeNovo demonstrou que uma estratégia de utilização sistemática de balões com fármaco, com implantação de stent em caso de falência, é eficaz e segura na maioria dos doentes, com resultados a 1 ano comparáveis à utilização de stent por defeito.
Quais são os principais tópicos abordados durante este evento formativo?
DF – Durante o D@CL serão abordados temas fundamentais para a prática atual da cardiologia de intervenção, entre eles a avaliação e caracterização da calcificação coronária; a importância da preparação da lesão como etapa crítica da angioplastia sem stent; a utilização de técnicas de modificação do cálcio, nomeadamente litotrícia intravascular; a evidência científica atual sobre o uso de balões com fármaco em diferentes contextos clínicos e diferenças entre os agentes farmacológicos disponíveis; e a discussão de casos clínicos reais, com foco na tomada de decisão em cenários complexos.
No final deste D@CL, que conhecimentos os participantes terão adquirido?
DF – No final do evento, os participantes terão uma visão integrada sobre quando e como optar por uma estratégia de angioplastia sem stent, compreendendo melhor os benefícios dos DCB em contextos de elevada complexidade. Irão reforçar competências na seleção adequada dos doentes, na preparação otimizada das lesões e na aplicação prática das evidências científicas mais recentes, com impacto direto na melhoria dos resultados clínicos.
Há alguma mensagem que queira deixar aos interessados nesta edição?
DF – A angioplastia moderna está a evoluir no sentido de “tratar sem deixar rasto”, privilegiando soluções eficazes sem material permanente sempre que possível. Esta edição do D@CL constitui uma oportunidade única para refletir sobre essa mudança de paradigma, partilhar experiência clínica e discutir a evidência que suporta estas novas abordagens. Convidamos todos os interessados a participar ativamente neste encontro, que certamente contribuirá para uma prática clínica mais segura, inovadora e centrada no doente.


