“A partilha em intervenção mitral e tricúspide foi um dos motivos de maior interesse desta reunião” – Entrevista a João Brito

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Entrevista a João Brito, presidente da 10.ª Reunião VaP-APIC 2021

Este ano, a Reunião VaP-APIC somou a sua 10.ª edição, data que não passou em branco, tendo sido realizada uma sessão, em que, de acordo com João Brito, presidente do evento, foi feita uma retrospetiva da intervenção valvular em Portugal, que permitiu olhar também para o futuro da técnica, com uma previsão para os próximos 10 anos.

Em entrevista, o cardiologista de intervenção falou um pouco sobre a organização deste evento, que teve de ser realizado em formato online, assim como dos seus desafios; e fez uma avaliação desta iniciativa, considerando que “um dos motivos de maior interesse esteve na partilha sobre a intervenção mitral e tricúspide”.

Como foi a experiência de organizar, este ano, a Reunião VaP-APIC, que pela primeira vez foi em formato online?
João Brito (JB) – Foi um desafio maior, pois exigiu uma grande capacidade de adaptação para conseguir alcançar a dinâmica e a interação que são características das reuniões dedicadas à intervenção cardiovascular.

Quais foram os principais objetivos desta VaP-APIC?
JB – Fazer o ponto da situação relativamente à intervenção valvular percutânea em Portugal e no mundo, perceber as dificuldades com que nos deparamos, os desafios que esperamos no futuro, e contribuir para a partilha de experiências e atualização de conhecimentos neste campo.

Normalmente, a VaP-APIC é uma reunião de um dia, mais meio dia de cursos. Este ano, decorreu em dois dias. Porquê? Podemos dizer que a intervenção percutânea valvular continua a crescer em Portugal?
JB – Efetivamente, o aumento do número de centros e de operadores que realizam intervenção valvular aórtica, mitral e tricúspide, bem como o contínuo aperfeiçoamento de dispositivos e técnicas nesta área obrigam ao crescimento natural desta reunião, que constitui o principal evento nacional dedicado à intervenção valvular percutânea.

Quais os principais avanços nesta área? Qual o estado da arte em Portugal e no Mundo?
JB – Relativamente à intervenção valvular aórtica, que já se encontra numa fase de maioridade, destaco a evolução dos dispositivos e o aumento da evidência científica que suporta o seu uso, em grupos de menor risco e em subpopulações especiais. As intervenções mitral e tricúspide ainda procuram consolidar o seu papel e, por isso, a partilha de experiência nesta área foi um dos motivos de maior interesse desta reunião.

Quais as sessões que destaca?
JB – Destaco duas sessões. Este ano comemoramos uma efeméride, uma vez que esta é a décima reunião anual do grupo VaP-APIC. Neste sentido, tivemos uma sessão que fez uma retrospetiva da intervenção valvular no nosso país e que permitiu também olhar para o futuro da técnica, nomeadamente uma previsão para os próximos 10 anos.
A segunda sessão impôs-se pelo contexto que vivemos atualmente, onde se discutiram os desafios e as adaptações necessárias para manter os programas de intervenção valvular percutânea em plena pandemia.

Qual foi o critério para a escolha dos palestrantes estrangeiros?
JB – Selecionámos temas específicos que mereciam discussão nesta reunião e desafiámos os operadores mais experientes e com “obra feita” em cada um desses temas. E congratulamo-nos por esse desafio ter sido aceite, o que abrilhantou a nossa reunião e veio realçar a importância deste evento.