40.ª edição D@CL: possibilidades de tratamento de várias situações clínicas

Pedro Cardoso

A 16 de fevereiro realizar-se-á, no Hospital de Santa Maria, a 40.ª edição do D@CL subordinada ao tema “Angioplastia com balão com fármaco”. Pedro Pinto Cardoso, Assistente Hospitalar Graduado de Cardiologia e Coordenador da Unidade de Cardiologia de Intervenção deste Hospital, explica em que consiste este tema e revela, ainda, os objetivos principais desta sessão.

 

Quais são as diferenças fundamentais entre a angioplastia com balão com fármaco e outras técnicas de angioplastia disponíveis?

Pedro Pinto Cardoso (PPC) – A angioplastia coronária nasceu em 1977 com a angioplastia de balão. As altas taxas de restenose e as complicações imediatas, associadas à evidência da sua redução com a implantação de stents, levaram ao uso generalizado destes últimos. Os stents metálicos foram mais tarde substituídos por stents farmacológicos com redução significativa e muito importante das taxas de restenose e na 3.ª geração destes stents com uma melhoria do perfil de segurança com grande redução da trombose de stent. A grande diferença entre a angioplastia de balão e com implantação de stent é o facto de a primeira não deixar em definitivo qualquer dispositivo dentro da artéria, com a vantagem de não interferir com os mecanismos de regulação do endotélio.

Quais são os critérios para levam à seleção deste tipo de angioplastia?

PPC – Há, no entanto, situações em que a utilização de stents pode não ser a melhor opção como, por exemplo, a restenose intra-stent, as bifurcações, os pequenos vasos ou a doença difusa. Os balões com fármaco são uma terceira alternativa de angioplastia permitindo baixas taxas de restenose sem a implantação de stents, sem o problema de impedirem em alguns casos uma solução cirúrgica futura, permitindo o tratamento de vasos de pequeno calibre e as bifurcações, com a utilização de menos metal e uma técnica menos complexa. Podem, por isso, ser uma alternativa válida nestas situações.

Qual é o impacto desta técnica na prática clínica?

PPC – Esta técnica oferece assim uma alternativa que permite tratar um maior número de doentes que surgem com doença complexa.

Quais são os principais objetivos desta sessão?

PPC – Nesta 40.ª edição do D@CL “Angioplastia com balão com fármaco”, a realizar no Hospital de Santa Maria, pretende-se rever estes aspetos e as possibilidades de tratamento de várias situações clínicas.

Quais serão os principais tópicos abordados?

PPC – Os tópicos a abordar, para além dos enunciados, passam pela evidência relativamente aos resultados desta técnica, mecanismos envolvidos, diferenças entre os dispositivos, nomeadamente entre os balões com paclitaxel e com sirolimus, e a discussão de casos clínicos.