13.ª Reunião VaP-APIC: Encontro debate avanços na intervenção estrutural valvular – Entrevista com Ângela Bento

Ângela Bento

A 13.ª Reunião VaP-APIC, marcada para os dias 14 e 15 de março, em Évora, promete ser um marco importante para a comunidade médica envolvida no tratamento da doença valvular cardíaca. A presidente da comissão organizadora, Ângela Bento, destaca que o evento será uma oportunidade única para encontro, partilha e discussão entre especialistas nacionais e internacionais. Com uma agenda repleta de temas atuais e mesas redondas dedicadas ao tratamento invasivo das doenças valvulares, a reunião visa não apenas promover a troca de conhecimentos, mas também contribuir para a melhoria da intervenção estrutural valvular em Portugal.

 

Quais os principais objetivos da 13.ª Reunião VaP-APIC?

Ângela Bento (AB) – A 13.ª reunião da VaP-APIC pretende ser, como as prévias, um momento de encontro, partilha e discussão de todos os envolvidos no tratamento da doença valvular cardíaca.

Quais os hot topics desta edição?

AB – Nesta edição serão abordados temas atuais relacionados com o tratamento invasivo das doenças valvulares aórtica, mitral e tricúspide. Teremos mesas redondas dedicadas a cada uma dessas áreas de intervenção onde serão debatidos aquelas que considerámos serem as questões mais prementes na abordagem desses doentes, nomeadamente no diagnóstico, no planeamento e nas questões técnicas dos procedimentos.

É já a 13.ª Reunião VaP-APIC. Em que é que se vai distinguir das anteriores?

AB – Esta reunião segue, de um modo geral, os moldes das reuniões anteriores com a mesma duração e uma organização semelhante, mas tem alguns aspetos diferenciadores. Realiza-se pela primeira vez em Évora, que é uma cidade tranquila e acolhedora, bastante próxima de Lisboa e com bons acessos, e cuja riqueza do património faz com que esteja classificada como Património Mundial da UNESCO. A escolha desta cidade para local da reunião não foi determinada apenas pela sua beleza e localização, mas também por uma ideia de descentralização. Esta descentralização da intervenção estrutural que começou com a abertura do programa de TAVI em Évora, no CRIA (Centro de Responsabilidade Integrada Cardiovascular do Alentejo), continuou com o seu reconhecimento com um centro de referenciação nacional de TAVI e esperemos que vá culminar com a abertura de outros centros onde possam ser tratados cada vez mais doentes valvulares. Para além disso, uma novidade é também a realização de uma sessão conjunta com a nossa congénere CSC estrutural cuja reunião anual decorre em Barcelona nas mesmas datas. Sendo esta a primeira deste género, esperamos que seja apenas o início de uma cooperação futura.

Aquando da escolha do programa, quais os critérios que foram tidos em conta?

AB – O programa pretende ser o mais abrangente possível, abordando as várias áreas de intervenção valvular numa perspetiva que queremos que seja tendencialmente prática e promova discussão. Mantivemos a apresentação de casos clínicos sob formato Live in the box, que foram um sucesso na edição anterior, e tentámos privilegiar momentos de discussão. A inclusão de temas relacionados com a intervenção mitral e tricúspide (para além da aórtica) pretende dar ênfase também a estas áreas de intervenção fomentando a ideia de que, se queremos acompanhar os restantes países europeus, é muito importante trilhar um caminho semelhante ao da TAVI aumentando o número de procedimentos e apostando em iniciativas como a Valve for Life. Teremos uma mesa onde serão apresentados os dados dos registos nacionais, que nos permitirão perceber onde estamos para pudermos decidir para onde e como queremos ir. Para além disso, serão apresentados os estudos mais importantes do último ano que permitirão saber o estado da arte da intervenção valvular.

Relativamente aos Cursos Pré-Congresso, o que já pode revelar?

AB – O que posso adiantar para já é que teremos três Cursos Pré-Congresso: um sobre acessos vasculares, outro sobre acesso coronário após TAVI e, por último, outro relacionado com a coordenação de um programa de TAVI.

Quais são as suas expectativas para esta reunião?

AB – As minhas expectativas são elevadas uma vez que espero que esta reunião tenha bastantes participantes, que haja muita discussão e muita partilha de experiências.

Em que sentido é que esta edição pode contribuir para a melhoria da intervenção estrutural valvular, a nível nacional?

AB – Este tipo de reuniões, dado o seu caráter formativo, contribui sempre para a melhoria do desempenho na área de intervenção. Os temas são variados e serão abordados de uma forma multidisciplinar, de forma que considero que esta partilha de opiniões e conhecimentos é muito construtiva e alavanca desenvolvimentos futuros. De facto, o número de procedimentos valvulares tem vindo a aumentar, mas número de implantes de TAVI tem ainda grande potencial de crescimento (devido às novas indicações) e ainda temos um grande caminho a percorrer principalmente no que se refere à intervenção mitral e tricúspide.

Na sua opinião, qual a importância da realização desta reunião para os profissionais de saúde?

AB – Todas as formas de encontro e comunhão entre os vários profissionais de saúde envolvidos na intervenção valvular são importantes para melhorar o nosso trabalho do dia a dia.

O programa contará com a presença de convidados internacionais, quer falar-nos um pouco mais da escolha destes nomes e da sua participação no programa?

AB – A presença de convidados internacionais engrandece o programa na medida em que enriquece a discussão com experiências e conhecimentos diferentes e inovadores.

Qual a mensagem que gostaria de passar aos participantes?

AB – Gostaria de dar as boas-vindas a todos os participantes da 13.ª reunião da VaP-APIC, que espero que seja interessante e participativa. Que todos saiam de Évora enriquecidos com esta participação na VaP-APIC.